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"Entrevista" sur l'approche transversale : un entretien en portugais au Brésil en 2002

mercredi 12 avril 2006, par René BARBIER


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Brasília, domingo, 14 de julho de 2002

Entrevista

René Barbier

Professor da universidade Paris 8, René Barbier criou um método de psicossociologia clínica que mistura a sociologia tradicional com ensinamentos da filosofia oriental


Nahima Maciel Da equipe do Correio

Antonio Siqueira  Há vida além do racionalismo cartesiano na sociologia praticada na academia francesa. É verdade que ela é eclética e nem sempre bem-vista pelos pares, conjuga verbos como transdisciplinar e incorpora filosofias orientais para criar metodologias de análise. Na linha de frente dos defensores desse pequeno ''desvio'' disciplinar estão nomes como Edgar Morin e Michel Maffesoli.   É nesse grupo que René Barbier se encaixa. Professor do departamento de Ciências da Educação na Universidade Paris 8 Saint Denis, ele tem como gurus gente como Morin, mas também figuras importantes da sabedoria Oriental. Barbier encontrou nos textos do indiano Jiddu Krishnamurti norteamentos para criar o que chama de abordagem transversal, ou uma sociopsicologia clínica preocupada em levar em conta aspectos como pulsões individuais do ser humano e recriações contemporâneas da mitologia antiga para compreender fenômenos sociais. ''Essa abordagem conjuga as dimensões sociológicas e psicológicas no terreno, trabalhando com as pessoas'', conta Barbier, ele mesmo envolvido com a prática de trabalhos em grupo com formadores e educadores durante as últimas três décadas.   As aulas que misturam Krishnamurti e Ciências da Educação no mesmo programa, no entanto, acontecem há 15 anos. Desde 1987, Barbier instiga seus alunos de pedagogia e sociologia com o curso Krishnamurti e a Educação. ''Ele é um filósofo no sentido etmológico, aquele que tem a amizade da sabedoria, e eu integrei completamente a abordagem dele. Sou o único na universidade francesa em Ciências da Educação a dar esse curso'', explica o professor. A metodologia virou tese de mestrado em 1977, publicada no Brasil como A Pesquisa-Ação na Instituição Educativa (Jorge Zahar).   Em Brasília pela terceira vez, a convite da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília, Barbier tirou os últimos três meses para mostrar aos alunos brasilienses como os ensinamentos do filósofo indiano serviram de base para criar um instrumento de análise particular.   A sociologia dá conta de explicar fenômenos até certo ponto, mas trava e fornece justificações grosseiras quando esbarra no que o francês chama de imaginário sagrado-radical. A distância entre objeto e pesquisador, segundo Barbier, é uma das causas. O descaso com a ''dimensão mitopoética'' é outra. Todas elas encontram na resistência à transdisciplinaridade nas universidades francesas uma barreira. Por isso Barbier visita o Brasil sempre com grande entusiasmo. Discípulo da sociologia de Pierre Bourdieu, com quem estudou na Paris 8, criada por intelectuais que ergueram piquetes nas ruas parisienses em maio de 1968, o professor vê o Brasil como solo fértil para a supressão das fronteiras rígidas entre as disciplinas.

 Parisiense, 62 anos, morador de bairro tradicionalmente operário no norte da capital francesa, Barbier falou ao Correio sobre sua metodologia e a especial dedicação à filosofia Oriental, freqüentemente citada para explicar suas idéias.


Por uma sociologia transdisciplinar

Quem no meio acadêmico francês pensaria em desenvolver estudos baseando-se nos ensinamentos filosóficos do indiano Jiddu krishnamurti ? rené barbier ousou

CORREIO BRAZILIENSE — O que o fez desviar da sociologia, sua formação original, para as ciências da educação ?

RENÉ BARBIER — Queria reintegrar dimensões que me pareciam ausentes das disciplinas de sociologia, mas que eu precisava pela minha prática. Trabalhava muito com grupos em psicossociologia clínica e tinha o hábito de localizar a complexidade do grupo, por isso me orientei para a pesquisa-ação. Queria introduzir novas dimensões, como a mitopoética. E também desejava integrar uma espécie de olhar filosófico sobre o lugar do homem na natureza, o sentido da vida e a abertura sobre uma certa forma de espiritualidade ampla. Me interesso pelas diferentes sabedorias da humanidade desde os 20 anos e achei que devia integrar isso na abordagem da complexidade do fato humano e educativo. Em geral, esses elementos são excluídos da pesquisa em educação.

CORREIO — Por quê ?

BARBIER — Os pesquisadores em ciência da educação são essencialmente disciplinares, deixam de lado a dimensão e interrogação metafísica. Isso nunca me satisfez, certamente porque eu trabalhava com grupos e de maneira muito clínica e ativa. Eu via bem nesses grupos que, desde que tinha um problema ligado à existência, essas dimensões existem, não podemos excluí-las.

CORREIO — Foi então que o senhor investiu na abordagem transversal ?

BARBIER — Trabalhando essas dimensões existenciais percebi que havia aberturas a serem feitas além da sociologia e por isso elaborei essa abordagem transversal, ao mesmo tempo da prática que tinha com o grupo. A abordagem transversal trata de uma concepção de imaginário com três dimensões. Uma pessoal, centrada na pulsão do ser humano e seus desejos. Outra social, que se impõe de certa forma a todos os indivíduos e grupos, produzida pela sociedade na sua historicidade. O terceiro imaginário é o sacral, com todas as representações que vêm da origem através do mito. Essa dimensão está ligada ao que chamo de sagrado-radical e que não podemos nomear, que é a profundeza mesma, e que incessantemente suscita o novo. Isso é, para mim, parte da dimensão poética. Esses três imaginários se sobrepõem uns aos outros e resultam em uma complexidade do imaginário na prática do discurso dos indivíduos do grupo. Essa complexidade se chama transversalidade e estrutura a vida do grupo.

CORREIO — O grupo é seu objeto de estudo, e é nele que o senhor aplica a pesquisa-ação. Por que considera esse tipo de abordagem mais eficaz ?

BARBIER — Não posso abordar esse objeto de maneira analítica. Não trabalho sobre mas com as pessoas, estou implicado nas vidas delas de alguma maneira. Minha abordagem então tem três dimensões, integradas. Nessa metodologia, criada por mim, me vejo como um clínico psicossociólogo trabalhando no grupo. Não faço análises sistemáticas de grandes estruturas sociais e sim análises das relações inter-humanas. Digamos que é uma sociologia com um rosto humano, onde ainda posso ter um cara a cara. Não me interesso mais por grandes estruturas.

CORREIO — Como são os grupos com os quais trabalhou nos últimos 30 anos ?

BARBIER — Eram essencialmente grupos de trabalhadores sociais, animadores e educadores. São pessoas que estão no terreno da prática e se perguntam sobre o sentido dessa prática, se colocam questões existenciais, de ordem filosófica, sobre a vida. Trabalhei com morte, nascimento, sofrimento. O elemento chave dessa abordagem é a escuta-sensível e tentei desenvolver isso. É uma abordagem de ordem científica única, um pouco como um psicossociólogo clínico, não o que trabalha num laboratório mas em campo, e aqui uso contribuições teóricas e metodológicas das ciências humanas clínicas, como a psicanálise, a psicologia e psicoterapia. Sou muito amplo, não me condeno a uma coisa. Tudo que pode trazer sentido, que me permite melhor compreender, tomo emprestado.

CORREIO — Como Krishnamurti ? Que importância ele teve na elaboração dessa metodologia ?

BARBIER — A visão do mundo de Krishnamurti é muito interessante porque ele fala diretamente, de maneira simples. Podemos tomar isso como uma linguagem psicológica, mas é mais que isso. E é alguém que está sempre na desconstrução e considera que a educação é antes de tudo um questionamento sobre o condicionamento de toda sorte que nos impede de viver e ser feliz. Ao conhecer Krishnamurti, vi que ele ia de encontro com a sociologia. Quando trabalhamos sobre os condicionamentos, podemos tomar o eixo sociológico, que desconstrói muito. Mas num certo momento, o sociólogo pára porque não entende mais. Ele tem então que passar para outros planos, como o psicanalítico, mas mesmo aí ele pára. E Krishnamurti traz um plano essencial, radical, que é no fundo a relação com o sagrado, mas não o sagrado codificado pelos grandes sistemas religiosos. É um sagrado que chamo de radical, muito mais interessante, que questiona o tempo inteiro sobre o que se quer estabelecer e organizar.

CORREIO — Como é vista essa incorporação de Krishnamurti na sua metodologia ?

BARBIER — De maneira muito marginal. Sou um pouco posto de lado porque introduzo a poesia e a dimensão poética na pesquisa em ciência da educação. Isso é mais ou menos tolerado, só que além disso faço essa abertura para a espiritualidade no sentido amplo do termo. E essa dimensão do sagrado não é considerada pelas ciências sociais como legítima. As pessoas pensam que é mística. Ou então, o sagrado é estudado por sociólogos da religião, sob o ângulo do objeto estudado à distância. Não se vai buscar profundamente o que ele significa. Nas Ciências da Educação, esse sagrado é deixado de lado. É preciso, e necessário, reintroduzi-lo. É essencial no século 21, senão vamos ter o fascismo religioso e todas as seitas que estão aparecendo agora. Não levamos essa dimensão em consideração e é como se algo fundamental para o ser humano se inscrevesse em seitas e organizações quase fascistas. Se não queremos reconhecer isso, passamos ao lado da compreensão do mundo contemporâneo.

CORREIO — Qual a contribuição que esse tipo de abordagem pode trazer para evitar, por exemplo, o surgimento dessas seitas ?

BARBIER — Se abordarmos essa questão, por exemplo, apenas do ponto de vista da sociologia clássica, não vamos entender nada do porquê dessas seitas. Para abordar as seitas e suas influências é preciso mostrar como na sociedade excluímos esse componente da complexidade do ser humano que é a dimensão espiritual. Na França, por exemplo, temos o problema da tradição muçulmana com garotas que vão à escola com seus véus. Não é dizendo para tirar o véu que vamos entender alguma coisa. É preciso tentar entender o porquê, o que quer dizer, quais os aspectos sociológicos, políticos, ideológicos, mas há também outros aspectos como o reconhecimento do enraizamento em uma cultura e uma relação espiritual em outro nível de realidade.

CORREIO — De maneira geral, isso é levado em conta na França ?

BARBIER — Não, de jeito nenhum. Os franceses são racionalistas : é sim ou não. E em geral é mais não. Eles se baseiam em estudos sociológicos para rejeitar sistematicamente. Creio que há muito a fazer. As Ciências Humanas do futuro vão integrar todas essas dimensões, não para excluí-las, mas para compreendê-las. É preciso ver que o homem é um ser de complexidade extrema que integra coisas diferentes e tentar se aproximar, com ele, do essencial de sua existência. Trabalhando com grupos percebi que não era tão simples como se dizia nos laboratórios de sociologia. Era bem mais complexo : tinha uma história de vida e na complexidade de uma vida tem diferentes dimensões que se exprimem e não podem ser explicadas uniformemente e unilateralmente.  

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René BARBIER
Page personnelle de René Barbier
Professeur émérite des universités en Sciences de l'éducation (université Paris 8) Fondateur de l'Institut Supérieur des Sagesses du Monde (ISSM) en ligne. Conseiller scientifique du Centre d'Innovation et de Recherche en Pédagogie de Paris - CIRPP- (CCIP). Membre du Conseil d'administration du Centre International de Recherches et d'Etudes Transdisciplinaires (CIRET)

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Il y a 2 contribution(s) au forum.

> "Entrevista" sur l'approche transversale : un entr
(1/1) 17 avril 2006, par Aurélien




> "Entrevista" sur l'approche transversale : un entr
17 avril 2006, par Aurélien   [retour au début des forums]

A França quer-se rationnaliste mas os discursos que reflectem os especialistas, os políticos e os meios de comunicação social não aumentam em nada da razão. Exploram e misturam de maneira totalmente descontrolada das imagens e vocabulários que pertencem à campos completamente opostos e irreconciliáveis, como o dogma religioso e o dogma científico. Não é do transdiciplinarité ou transversalité, é da estupidez. Os meios de comunicação social têm uma responsabilidade crescente na situação de precariedade psicológica da sociedade.

Aurélien

(traduction yahoo)

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